ENCONTRO ESTADUAL DOS TECNICOS AGRICOLAS DO ESTADO DO MARANHÃO

ENCONTRO ESTADUAL DOS TECNICOS AGRICOLAS DO ESTADO DO MARANHÃO
CONSCIENTIZAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A REFORMA AGRÁRIA QUE FAZ BEM AO MEIO AMBIENTE

UMA AGENDA EM DEFESA DA VIDA E DO DESENVOLVIMENTO

O conceito-chave que orienta as ações do Ministério do Desenvol-
vimento Agrário (MDA) e do Instituto Nacional de Colonização e Refor-
ma Agrária (Incra) é o de um modelo de desenvolvimento rural susten-
tável, capaz de fazer do campo brasileiro um espaço de paz, produção e justiça social. A defesa da construção de um novo modelo de desen-
volvimento rural e agrícola parte de um diagnóstico sobre a insusten-
tabilidade econômica, social e ambiental, no médio e longo prazo, do modelo implantado nas últimas décadas no Brasil. A combinação de uma estrutura agrária concentrada, políticas agrí-
colas e padrão tecnológico excludentes produziu o empobrecimento de milhares de famílias de pequenos e médios agricultores (processo que, em muitos casos, resultou na perda de suas propriedades), a perda de biodiversidade, o desmatamento e a contaminação de rios e pessoas pelo uso intensivo de agrotóxicos.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), ao longo dos últimos 100 anos, perderam-se 75% das variedades agrícolas. A agricultura mecanizada e as exigências do mercado estão na raiz da redução da biodiversidade. Historicamente, o ser humano utilizou entre sete e 10 mil espécies, ao passo que hoje cultiva tão somente 150 espécies – 12 das quais representam 75% do consumo alimentar humano. E dessas, só quatro espécies são respon-
sáveis pela metade dos nossos alimentos.
O Brasil possui hoje dois dos 34 ecossistemas mundiais mais amea-
çados: a Mata Atlântica e o Cerrado. Desde o descobrimento do Brasil, cerca de 92% da vegetação da Mata Atlântica foi destruída. No caso do Cerrado, que começou a ser ocupado nas últimas décadas, a destrui-
ção é ainda mais rápida, restando apenas 22% da cobertura original. A monocultura da soja, as plantações de algodão e milho e a agricultura mecanizada como um todo são os principais fatores responsáveis pela destruição ambiental da região. A situação da Mata Atlântica apresentou pequena melhora nos últi-
mos anos, com a redução da pressão de atividades econômicas sobre territórios preservados. Mas, se a pressão diminuiu aí, ela se deslocou para outras regiões, como é o caso do Cerrado e da Amazônia.
Na Amazônia, a partir de 1970, foi implantado um modelo de desen-
volvimento que incentivou grandes projetos agropecuários e monocul-
turas, com uma política de substituição da fl oresta e de concentração da terra, gerando confl itos agrários, destruição ambiental e êxodo rural. Esse período foi marcado também pelo atendimento dos fl uxos migra-
tórios de agricultores das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

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